Um áudio que circula em grupos de WhatsApp de Bofete expôs uma tentativa do vereador Henrique Galvão (PSD) de colocar servidores públicos municipais contra a administração do prefeito Carlinhos do Carmo (Republicanos) e os demais vereadores da Câmara.
Na gravação, o parlamentar afirma estar isolado na defesa dos servidores e convoca os funcionários a se unirem em uma espécie de mobilização contra o governo e os colegas do Legislativo. “A gente vai ter que ver como a gente vai tratar isso aí, vamos convocar uma reunião com os servidores, vamos fazer um abaixo-assinado […]. Quem tá pensando em vocês? Só fiquei eu. A gente vai ter de conversar pra ter uma estratégia, pra gente ter uma ação”, diz Henrique em um dos trechos.
Em outro momento, o vereador se coloca como vítima de uma suposta perseguição: “Fui massacrado por todos os vereadores […] o Carlinhos massacrou eu, o (Rafael) Boi”.
Segundo informações apuradas, o episódio ocorreu após uma reunião promovida pela Prefeitura para discutir o funcionamento do cartão farmácia dos servidores municipais. O encontro contou com a presença do prefeito, do vice, de vereadores, diretores e representantes de farmácias. Durante o debate, foi firmado um consenso sobre o tema — com exceção de Henrique, que ficou isolado em sua posição.
De acordo com interlocutores do governo, logo após o encontro, o parlamentar teria enviado o áudio aos servidores, numa tentativa de criar atrito entre o funcionalismo, a gestão e os demais membros da Câmara.
Um vereador ouvido pela reportagem afirmou que a conduta pode levar à abertura de processo por quebra de decoro parlamentar. Caso seja instaurado e aprovado, o procedimento pode resultar na cassação do mandato, penalidade máxima aplicada a quem fere a ética e a dignidade do cargo público.
Foto: Reprodução/Câmara de Bofete
